O Coletivo Afrontar-se e o Empoderação das Pretas tem o prazer de convidar a todos para o 1º Workshop de Saúde Holística Africana que será realizado no dia 09 de Abril de 2016 às 14:30 na Escola Municipal Adolfo Bezerra de Menezes - Bairro: Abadia - UBERABA/MG.
E no dia 10 de Abril : Palestra Tema: O Resgate da ancestralidade e percepções da mulher negra em diáspora africana .
Este blog pretende debater as questões de identidade, ideologia e cultura , evidenciar a afirmação de uma identidade política que une diversas etnias, mostrar as histórias dos grandes heróis Negros esquecidos pela Mídia Brasileira e pela memória dos Brasileiros e resgatar a cultura e essência do movimento negro, utilizando esta mídia alternativa para produção e divulgação desta causa.
terça-feira, 29 de março de 2016
sexta-feira, 11 de março de 2016
Organizações Nacionais do Movimento Negro Lançam documento contra o Golpe e Ataques à Democracia.
A BNN - Mídia étnica assina junto este documento.
Brasil, 11 de março de 2016
Neste mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher e inspiradas nas histórias de centenas de mulheres negras na luta contra a Escravidão, na preservação das nossas religiões de matrizes africanas, na manutenção de nossa cultura e entre tantos elementos a mais, as Entidades Sociais que conformam o Movimento Negro Brasileiro, reunidas sob a égide da Convergência, vêm a público manifestar sua posição consensual contra a tentativa de golpe articulada pelos setores conservadores com apoio da mídia e por meio de ações de parte do Judiciário.
Dessa forma, apresentamos os seguintes apontamentos:
1 – Os setores que protagonizam esta tentativa golpista historicamente defendem propostas contra as bandeiras de luta do movimento negro e popular: Defendem a redução da maioridade penal; são contra as cotas e as ações afirmativas; atuam para retirar as perspectivas racial e de gênero dos planos de educação entre outros;
2 – Pressionam pela imposição de uma agenda neoliberal; pela entrega do pré-sal e do patrimônio nacional às empresas estrangeiras e o pleno atendimento das demandas do grande capital financeiro;
3 – Estes setores defendem o recrudescimento das políticas repressivas, da violência policial e do genocídio da população negra;
4- Combatem as reivindicações das mulheres negras, a descriminalização do aborto, pregam o esvaziamento das poucas políticas públicas direcionadas às mulheres, notadamente as mulheres negras, tais como as trabalhadoras domésticas;
5 – Reconhecemos que os significativos avanços promovidos contra a miséria extrema, a fome, a inclusão de milhares de jovens negros e negras nas universidades além da implantação de políticas de promoção e igualdade racial, são, entre outros fatores, elementos que levam as elites brasileiras se unirem e atacarem o atual governo.
6 – O governo federal, alvo das incursões destes setores mais conservadores, ao invés de enfrentá-los, continua sucumbindo e impondo uma agenda muito similar ao de seus algozes, sobretudo nos aspectos econômicos e em iniciativas tal qual a lei antiterrorismo. Somos contra o Impeachment da atual presidenta e não toleraremos qualquer tentativa de golpe à nossa frágil e insuficiente democracia. Mas é preciso uma mudança de rumo desse governo. A população negra não pode pagar pela crise econômica e política do país. O Movimento Negro brasileiro afirma uma agenda de enfrentamento à política genocida, contra a redução dos direitos trabalhistas, contra a reforma da previdência, contra os cortes em programas sociais como saúde e educação.
Nós que atuamos na luta contra o racismo e as desigualdades étnico-raciais, temos a convicção que qualquer ruptura com o frágil e ainda pouco eficaz processo democrático atingirá de forma mais grave o conjunto da população negra.
Somos a favor da investigação de todos os casos de corrupção, mas não ao uso oportunista disso para impor uma agenda antipopular que penalize ainda mais nosso povo negro.
Trazemos em nossa ancestralidade toda uma história de luta e resistência que estamos dispostos a honrar neste momento tão importante na história deste Brasil que é nosso e construímos com cada gota do nosso suor.
A solução para a crise está na adesão às propostas históricas dos movimentos populares e do movimento negro.
EM FRENTE E PELA ESQUERDA. RETROCESSO NUNCA MAIS!
Assinam:
ABPN – Associação Brasileira de Pesquisadores Negros
APNs – Agentes Pastorais Negros
CEN – Coletivo de Entidades Negras
Círculo Palmarino
CONAJIRA – Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial
CONAQ – Coordenação Nacional das Comunidades Quilombolas
CONEN – Coordenação Nacional de Entidades Negras
ENEGRECER – Coletivo Nacional de Juventude Negra
FNMN – Fórum Nacional de Mulheres Negras
FONAJUNE – Fórum Nacional de Juventude Negra
Instituto Luiz Gama
MNU – Movimento Negro Unificado
Quilombação
Rede Afro LGBT
RAN – Rede Amazônia Negra
UNEAFRO BRASIL
UNEGRO – União de Negros pela Igualdade
Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras – AMNB
Associação Franciscana de Defesa de Direitos e Formação Popular
Associação Nacional de empresários e Empreendedores Afrobrasileiros – ANCEABRA
Associação Religiosa de Tradição Afro-Cubana Ifanilorun
Bloco Afro Quilombo de Sergipe
Blog Negro Belchior
Bocada Forte Hip Hop
Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará – CEDENPA
Centro de Estudos, Pesquisa e Extensão em Educação, Gênero, Raça e Etnia – CEPEGRE/UEMS
Centro de Estudos e Referência da Cultura Afrobrasileira do Acre – CERNEGRO
Centro Nacional de Africanidades e Resistência – CENARAB
Coletivo Afrontar-se de Uberaba/MG
Coletivo CIATA do LPEQI
Coletivo Mocambo Cultural
Conselho de Entidades Negras do Interios do Estado do Rio de Janeiro – CENIERJ
Conselho Municipal de Igualdade Racial de Osasco
Conselho Municipal de política Étnico Racial de Curitiba
Consorcio Nacional dos Núcleos de Estudos Afrobrasileiros – CONNEABS
Dandaras no Cerrado
Federação Juvenil Comunista de la Argentina
Federação Nacional das Associações de Pessoas com Doenças Falciforme – FENAFAL
Federação das Religiões de Matriz Africana do Acre – FEREMAAC
Forum Sergipano dos Povos de Matriz Africanas
Fórum de Educação e Diversidade Etnorracial do Rio Grande do Sul
Fórum Estadual Setorial de Culturas Afro-brasileiras/ PA
Grupo de Estudos e Pesquisas em Relações Étnico-raciais, Educação e Formação de Professores. FE/UF – GREED
Grupo de Música Percussiva Gantó
Grupo de Pesquisas Religiosidades e Festas
Grupo Tortura Nunca Mais do Estado de São Paulo – GTNM/SP
Geledés Instituto da Mulher Negra
Instituto de Capoeira Cordão de Ouro – Mato Grosso do Sul
Instituto Ganga Zumba
Associação Franciscana DDHFP
Instituto Mocambo do Pará
Instituto da Mulher Negra de Mato Grosso – IMUNE
Instituto Nangetu de Tradição Afro-Religiosa e Desenvolvimento Social/ PA
Instituto de Resistência Cultural Afro-brasileira – Moviasés Guarulhos
Núcleo da Comunidade Negra de Osasco – NUCONO
NEAB/Unifesp
Núcleo Estadual da Marcha das Mulheres Negras do Espírito Santo
Núcleo Estadual de Mulheres Negras do Espírito Santo
Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade Federal do Espírito Santo – NEAB/UFES
Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade Federal de Juiz de Fora – NEAB-UFJF
Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade do Estado de Santa Catarina – NEAB/UDESC
Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) – Campus Sertão
Núcleo Negro Unifesp Guarulhos
Opaas – Observatório das Políticas de Ações Afirmativas do Sudeste
Pastoral Afro Achiropita
Portal Alma Preta
REATA – Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana
Secretaria de Combate ao Racismo da Federação Interestadual dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – FITMETAL
Secretaria Nacional de Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil
Casa de Tradição e Cultura Afro-Brasileira de Minas Gerais – Ilê AxéOgunfunmilayo
Sociedade Comunitária “Fala Negão \ Fala Mulher” da Zona Leste de São Paulo
Instituto Das Pretas do Espírito Santo
QUILOMBHOJE Literatura
BNN - Mídia Étnica.
terça-feira, 8 de março de 2016
O Feminismo Negro e a renovação da política do “Dia Internacional das Mulheres”
Foto: Panteras Negras
Texto Original: Rosane Borges.
Pós-Doutoranda em Ciências da Comunicação pela ECA-USP
O “episódio” na Triangle Shirtwaist Company, em 1911, em Nova Iorque, uma tragédia que nos mobiliza até hoje (como não poderia deixar de ser diferente), representa, em tons funestos, o ápice da exploração do capitalismo às custas da opressão feminina (“no incêndio morreram 146 trabalhadores, dos quais 17 eram homens e 129 eram mulheres e meninas – 90 delas se jogaram pelas janelas do prédio. A maioria das jovens era imigrante, tinha entre 16 a 24 anos e trabalhava em condições desumanas” [Lima]); compromete-nos com a reatualização das diversas formas de exploração ao redor do mundo com fundamento de gênero. Ao fazê-lo, somos levadas, inevitavelmente, a empreender correlações com outras variáveis de exclusão, com destaque para o racismo, posto que o laço indissolúvel entre gênero e raça, qualificativo de classe social, eixo extremo de diferenciação negativa, nos dá a medida da magnitude da opressão feminina. Esse entrelaçamento nos enreda, sem dúvida, “nas histórias das que vieram antes de nós”, marcadas pelo drama da escravidão.
As opressões que se cruzam
Esse dado torna ainda mais necessário o exercício de apontamento das antecedências e dos fundamentos da exploração e da opressão por onde se divisa as reivindicações históricas das mulheres negras. Pretende-se, antes, apontar o caráter fundante da relação inescapável entre gênero e raça no contexto brasileiro e da diáspora africana, o que forjou a assunção do feminismo negro, que põe em cheque as concepções universalistas que orientaram as políticas desenhadas para transpor as desigualdades de gênero. A esse respeito, ensina a filósofa e feminista negra Sueli Carneiro:
No Brasil e na América Latina, a violação colonial perpetrada pelos senhores brancos contra as mulheres negras e indígenas e a miscigenação daí resultante está na origem de todas as construções de nossa identidade nacional, estruturando o decantado mito da democracia racial latino-americana, que no Brasil chegou até as últimas consequências. Essa violência sexual colonial é, também, o “cimento” de todas as hierarquias de gênero e raça presentes em nossas sociedades, configurando aquilo que Ângela Gilliam define como “a grande teoria do esperma em nossa formação nacional. As mulheres negras tiveram uma experiência histórica diferenciada que o discurso clássico sobre a opressão da mulher não tem reconhecido, assim como não tem dado conta da diferença qualitativa que o efeito da opressão sofrida teve e ainda tem na identidade feminina das mulheres negras. Quando falamos do mito da fragilidade feminina, que justificou historicamente a proteção paternalista dos homens sobre as mulheres, de que mulheres estamos falando? Nós, mulheres negras, fazemos parte de um contingente de mulheres, provavelmente majoritário, que nunca reconheceram em si mesmas esse mito, porque nunca fomos tratadas como frágeis. Fazemos parte de um contingente de mulheres que trabalharam durante séculos como escravas nas lavouras ou nas ruas, como vendedoras, quituteiras, prostitutas… Mulheres que não entenderam nada quando as feministas disseram que as mulheres deveriam ganhar as ruas e trabalhar! Fazemos parte de um contingente de mulheres com identidade de objeto. Ontem, a serviço de frágeis sinhazinhas e de senhores de engenho tarados. (…). (Carneiro, 2001).
Para além da necessidade de conhecermos a história das nossas antecedências, das que vieram antes de nós, (relembremos o livro organizado pela médica e feminista negra, Jurema Werneck: O livro de saúde das mulheres negras: nossos passos vêm de longe), o texto de Sueli Carneiro evidencia o caráter radical (no sentido etimológico do termo) dos feminismos negros na exata medida em que desde sempre se constituíram interrogando os princípios que regeram a política moderna e não apenas reivindicando participação nela.
Bloco das Pretas: resgate da identidade da Mulher Negra.
O Bem Viver como renovação de uma agenda que se desdobra ao longo do tempo
A conquista de espaços, o ingresso do par gênero-raça na institucionalidade da vida nacional não é possível sem a implosão daqueles modelos que, per se, não comportavam as identidades e trajetórias múltiplas de grupos raciais não hegemônicos. Não foi, portanto, mero jogo de palavras a escolha do tema da Marcha das Mulheres Negras 2015: “Contra o racismo e pelo Bem-Viver (a expressão Bem Viver tem origem política nas tradições indígenas e aproxima-se de metáforas fundantes do ideal de vida plena em contraposição a propostas desenvolvimentistas). O slogan renova uma agenda em que mulheres negras de todo o Brasil marcharam em nome de um novo contrato social, um novo pacto civilizatório. Inspiradas em paradigmas que se orientam por outra gramática política, responsável por um reordenamento sociorracial equilibrado, capaz de acolher saberes, práticas e experiências até então ignorados pelas dominantes configurações do político,essas mulheres apresentaram um Projeto de/para o país. No documento expandido da Marcha, afirma-se: “A nossa trajetória nos autoriza a propor outros modos de vida. […]. Não compactuamos com modelos de desenvolvimento e conceitos que deixam para trás 49 milhões de brasileiras.” Nem hoje, nem ontem.
As reações às formas de exclusão perfazem um arco pontilhado de referências que evocamos para não perdermos as balizas políticas que dão sentido ao “8 de março”. Recordemos algumas delas: Sojourner Truth, ex-escravizada que se notabilizou por proferir discurso intitulado “E eu não sou uma mulher?” na Convenção dos Direitos das Mulheres em Ohio, em 1851; Rosa Parks(que se recusou a levantar do lugar reservado para brancos em ônibus na época da segregação racial norte-americana); Maria Firmina dos Reis (ex-escravizada, primeira romancista brasileira);Antonieta de Barros (primeira deputada negra brasileira), lideranças religiosas e políticas, donas de casa que em seu ritual diário estabelecem outros modos de concepção do espaço privado (“nada é mais perturbador que os movimentos incessantes do que parece imóvel”)… mulheres que suscitam acontecimentos capazes de engendrar outras temporalidades. Se é ao “nível de cada tentativa que se avaliam a capacidade de resistência”, essas e outras referências nos mostram, junto com as operárias do final do século XIX e início do século XX, as mulheres indígenas e trabalhadoras rurais que é possível apostar num mundo melhor. Que o dia de hoje sirva para nos lembrar disso.
Fonte: Blog da Boi Tempo
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