terça-feira, 24 de maio de 2016

Livro - Um Defeito de Cor – Ana Maria Gonçalves

Um Defeito de Cor – Ana Maria Gonçalves

Descrição do livro: Fascinante história de uma africana idosa, cega e à beira da morte, que viaja da África para o Brasil em busca do filho perdido há décadas. Ao longo da travessia, ela vai contando sua vida, marcada por mortes, estupros, violência e escravidão. Inserido em um contexto histórico importante na formação do povo brasileiro e narrado de uma maneira original e pungente, na qual os fatos históricos estão imersos no cotidiano e na vida dos personagens, Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves, é um belo romance histórico, de leitura voraz, que prende a atenção do leitor da primeira à última página. Uma saga brasileira que poderia ser comparada ao clássico norte-americano sobre a escravidão, Raízes.


Sobre a autora: Ana Maria Gonçalves (Ibiá, 1970) é uma escritora brasileira.

Trabalhou como publicitária em São Paulo, mas abandonou a profissão em 2002 para morar em Itaparica e escrever seu primeiro livro, Ao lado e à margem do que sentes por mim. Mais tarde, fixou residência em Nova Orleans .Seu segundo romance, Um defeito de cor, de 2006, conquistou o Prêmio Casa de las Américas na categoria literatura brasileira. A obra, inspirada na vida de Luísa Mahin, conta a trajetória de uma menina nascida no Daomé e capturada como escrava aos 8 anos de idade, até a sua volta à terra natal como mulher livre .

Link para Download do LIVRO: AQUI

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Dica de Livro - O Negro no Século Xxi - Luislinda Valois

Com sensibilidade ímpar para entender a necessidade mais básica da alma humana – ser acolhida, a autora compreendeu o real sentido do amor crístico: acolher amorosamente.
Pode parecer até fácil de dizer e entender, mas, acreditem, é algo de difícil prática, principalmente em uma sociedade alicerçada em estereótipos dos mais diversos e ininteligíveis.
Estereótipos que segregam as pessoas e as classificam em aceitáveis ou inaceitáveis, ignorando a verdadeira natureza humana que é a diferenciação.
O ser diferente é inerente à nossa natureza, entretanto a violência segregacionista se instala de forma indelével até mesmo em discursos aparentemente inofensivos e politicamente corretos.
Com uma capacidade intelectual privilegiada, “a nossa Ruy Barbosa de saia”, como já foi apropriadamente classificada, a magistrada Luislinda de Valois lança luzes onde, na rotina do dia a dia, as trevas do discernimento torto ofuscam a verdade.
A verdade, essa senhora de alma pura – mas não necessariamente branca, podendo até mesmo sê-la, porque a brancura não a excluiria dessa qualidade e de nenhuma outra – nos retém, nos faz reduzir o passo e prestar atenção ao que nos acostumamos a ignorar.
A escritora e magistrada há décadas agrega à atividade da magistratura, com recursos próprios e ajuda de amigos, a atenção social às camadas mais carentes da população, notadamente a população negra, com palestras educativas, doações de gêneros alimentícios e de higiene, entre muitos outros cuidados.
Com maestria, de forma direta e objetiva, nos conduz à luz do reconhecimento de uma verdade dolorosa, que se mantém escondida atrás de cortinas imateriais, porém pesadas, à realidade da dor secular que atinge a todo um povo que, refém de leis hipócritas, é mantido de mãos atadas, mesmo com os enferrujados grilhões aparentemente rompidos.
Luislinda de Valois nos põe a refletir, com ânsia de mudança, que é preciso curar as feridas, mas não poderemos esquecer as cicatrizes se elas continuarem a sangrar.

Vereadora Tia Eron




Autora: Luislinda Dias de Valois Santos é Juíza desde 1984, atuando na Bahia, realizou diversos projetos em defesa de seu povo oprimido e discriminado, conquistando respeito e credibilidade, além de vários prêmios. Entre suas realizações estão a criação e instalação de vários juizados (inclusive itinerantes) em várias cidades da Bahia, além de participação no lançamento do Relatório Nacional Brasileiro em cumprimento à CEDAW – Convenção para Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher – realizado no Palácio Planalto em Brasília.