Com sensibilidade
ímpar para entender a necessidade mais básica da alma humana – ser acolhida, a
autora compreendeu o real sentido do amor crístico: acolher amorosamente.
Pode parecer até
fácil de dizer e entender, mas, acreditem, é algo de difícil prática,
principalmente em uma sociedade alicerçada em estereótipos dos mais diversos e
ininteligíveis.
Estereótipos que
segregam as pessoas e as classificam em aceitáveis ou inaceitáveis, ignorando a
verdadeira natureza humana que é a diferenciação.
O ser diferente é
inerente à nossa natureza, entretanto a violência segregacionista se instala de
forma indelével até mesmo em discursos aparentemente inofensivos e
politicamente corretos.
Com uma capacidade
intelectual privilegiada, “a nossa Ruy Barbosa de saia”, como já foi
apropriadamente classificada, a magistrada Luislinda de Valois lança luzes
onde, na rotina do dia a dia, as trevas do discernimento torto ofuscam a
verdade.
A verdade, essa
senhora de alma pura – mas não necessariamente branca, podendo até mesmo sê-la,
porque a brancura não a excluiria dessa qualidade e de nenhuma outra – nos
retém, nos faz reduzir o passo e prestar atenção ao que nos acostumamos a
ignorar.
A escritora e
magistrada há décadas agrega à atividade da magistratura, com recursos próprios
e ajuda de amigos, a atenção social às camadas mais carentes da população,
notadamente a população negra, com palestras educativas, doações de gêneros
alimentícios e de higiene, entre muitos outros cuidados.
Com maestria, de
forma direta e objetiva, nos conduz à luz do reconhecimento de uma verdade
dolorosa, que se mantém escondida atrás de cortinas imateriais, porém pesadas,
à realidade da dor secular que atinge a todo um povo que, refém de leis
hipócritas, é mantido de mãos atadas, mesmo com os enferrujados grilhões
aparentemente rompidos.
Luislinda de
Valois nos põe a refletir, com ânsia de mudança, que é preciso curar as
feridas, mas não poderemos esquecer as cicatrizes se elas continuarem a
sangrar.
Vereadora Tia Eron
Autora: Luislinda Dias de
Valois Santos é Juíza desde 1984, atuando na Bahia, realizou diversos projetos
em defesa de seu povo oprimido e discriminado, conquistando respeito e
credibilidade, além de vários prêmios. Entre suas realizações estão a criação e
instalação de vários juizados (inclusive itinerantes) em várias cidades da
Bahia, além de participação no lançamento do Relatório Nacional Brasileiro em cumprimento à CEDAW
– Convenção para Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher
– realizado no Palácio Planalto em Brasília.

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