Laudelina de Campos Melo (Poços de Caldas, 12 de outubro de 1904 - Campinas, 12 de maio de 1991), foi uma brasileira, defensora dos direitos das mulheres e das empregadas domésticas, fundadora do primeiro sindicato de trabalhadoras domésticas do Brasil.Vida pessoal
Laudelina nasceu em 12 de outubro de 1904, em Poços de Caldas, filha de pais alforriados pela Lei do Ventre Livre, em 1871. Seu pai faleceu quando Laudelina tinha 12 anos, atingido por uma árvore que cortava com outros dois filhos. Obrigada a trabalhar como empregada doméstica desde os 7 anos de idade, abandonou a escola para para poder cuidar dos cinco irmãos mais novos, enquanto a mãe ia trabalhar.
| A minha mãe dizia pra mim que eu deveria ter nascido homem, porque já nasci com aquela garra, com aquela coisa que tudo pra mim eu não deixava passar, eu queria enfrentar.. |
Já adolescente, auxiliava a mãe na confecção de compotas, geleias e doces caseiros para venderem na cidade e aumentar a renda. Aos 16 anos foi eleita presidenta do Clube 13 de Maio, que promovia atividades recreativas e políticas entre a população negra de sua cidade. Mudou-se para São Paulo, com 18 anos e casou-se aos 20 anos, mudando-se para Santos, São Paulo, tendo um filho logo em seguida.
Militância
Junto do marido, Laudelina participou da agremiação Saudade de Campinas, grupo que valorizava a cultura negra em Santos. O casal se separou em 1938, com dois filhos como resultado da união. Laudelina passou a atuar de forma mais intensa em movimentos populares, de cunho político e reivindicatório, especialmente depois de se filiar ao Partido Comunista Brasileiro, em 1936. Neste mesmo ano, Laudelina fundou a primeira Associação de Trabalhadores Domésticos do país, fechada durante o Estado Novo, e voltando a funcionar em 1946. Várias outras associações começaram a surgir na cidade de São Paulo, sob a coordenação do professor Geraldo de Campos Oliveira, presidente do Clube Cultural Recreativo do Negro e membro do partido Libertador. Laudelina também trabalhou para a fundação da Frente Negra Brasileira, militando na maior associação da história do movimento negro, que chegou a ter 30 mil filiados ao longo da década de 1930.
Em 1948, a família para a qual Laudelina trabalhava a convidou para ser gerente do hotel fazenda que possuíam em Mogi das Cruzes, ficando por três anos. Com a morte da matriarca da família, Laudelina foi para Campinas, cidade que dava preferência às empregadas brancas, o que levou Laudelina a protestar junto do Correio Popular por veicular anúncios preconceituosos. Integrou-se ao Movimento Negro de Campinas, participando de eventos que visavam levantar a auto-estima da comunidade negra, com teatros e palestras, inclusive promovendo, em 1957, um baile de debutantes (Baile Pérola Negra) para jovens negras, no Teatro Municipal de Campinas. Em 1961, obteve o apoio do Sindicato da Construção Civil de Campinas para fundar, em suas dependências, a associação de empregadas domésticas.
Laudelina de Campos Mello no Baile da Pérola Negra - Campinas 1957 (Foto: Arquivo Pessoal de Glória Boardi)
Associação Profissional Beneficente
A Associação Profissional Beneficente das Empregadas Domésticas esteve em diversas frentes e lutas, em especial contra o preconceito racial. Mil e duzentas empregadas domésticas estiveram no ato da inauguração da associação, em 18 de maio de 1961. No ano seguinte, foi convidada para participar da organização de diversos sindicatos da categoria em outros estados, participando também de movimentos negros e feministas.
Para que a associação não fechasse, devido ao Golpe de Estado de 1964, Laudelina aceitou abrigá-la na União Democrática Nacional (UDN). A entidade acabou se dissociando, depois que Laudelina ficou doente em 1968, o que a levou a se desvincular do movimento de empregadas domésticas. Voltou à direção em 1982, por insistência de suas antigas companheiras. em 1988, a associação se tornou o Sindicato das Empregadas Domésticas e continuou a lutar em favor do direito das empregadas domésticas, combatendo a a discriminação da sociedade em relação às empregadas domésticas, exigindo melhor remuneração e igualdade de direitos sociais.
Morte
Laudelina faleceu em 12 de maio de 1991 em Campinas, deixando sua casa para o sindicato de Campinas.
Legado
A atuação e militância de Laudelina foi fundamental para a categoria conquistar o direito à Carteira de Trabalho e à Previdência Social
Ativista sindical e trabalhadora doméstica. Sua trajetória foi marcada pela luta contra o preconceito racial, subvalorização das mulheres e exploração da classe trabalhadora. Combateu a discriminação da sociedade em relação às empregadas domésticas, exigindo melhor remuneração e igualdade de direitos sociais. Sua atuação permitiu a regulamentação do emprego doméstico como fundadora do Sindicato das empregadas domésticas.
Referências
- Heróis de todo Mundo (: ). «LAUDELINA DE CAMPOS MELO». Heróis de todo Mundo. Consultado em 19 de dezembro de 2016
- EBC. Consultado em 19 de dezembro de 2016
- Pinto, Elisabete Aparecida (1992). Etnicidade, gênero e educação : a trajetória de vida de D. Laudelina de Campos Mello (1904-1991) (Tese). Campinas: UNICAMP. Consultado em 19 de dezembro de 2016
- Guerreiras Pós-Abolição (: ). «Laudelina de Campos Melo». Criola. Consultado em 19 de dezembro de 2016
- Schumaher, Schuma. Dicionário Mulheres do Brasil de 1500 até a atualidade. Rio de Janeiro: Zahar, 2000. p. 566. ISBN 9788571105737
- Adriana Barão . «Laudelina de Campos Melo». Revista SARAO. Consultado em 19 de dezembro de 2016


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